Blog da ENGIE Solar

20.09.2016

Tendências para a matriz energética do Brasil

As projeções de crescimento exponencial da população mundial chamam a atenção não apenas pelo número absoluto – segundo a ONU, o planeta deverá contar com 9,7 bilhões de pessoas em 2050 -, mas também pelas consequências e os impactos deste grande crescimento populacional. Neste cenário, uma das grandes preocupações está relacionada à matriz energética, ou seja, como será possível suprir a demanda crescente por energia e lidar com as altas taxas de emissão de carbono decorrente do uso de combustíveis fósseis como matéria-prima para produção de energia?

Em decorrência do aumento do consumo projetado, será necessário utilizar formas alternativas e sustentáveis de produzir eletricidade, tanto é que a U.S. Energy Information Administration aponta como tendência mundial, dentre outras previsões, o aumento do emprego de energias renováveis e uso de biocombustíveis para os próximos anos, apesar da manutenção do uso de combustíveis fósseis.

Mesmo adotando uma economia de baixo carbono, principalmente pelo amplo emprego de hidrelétricas, o Brasil ainda possui diversas fragilidades no quesito energia, sejam elas relacionadas às questões sociais e ambientais, à infraestrutura de distribuição, ou à diversificação de fontes energéticas e uso de tecnologias.

Pensando nisso, separamos 4 tendências para a matriz energética do Brasil nos próximos anos para que você possa saber o que está por vir:

 

Aumento no consumo

A população mundial irá aumentar e o Brasil terá a sua contribuição nesta parcela, já que até 2024 o país deverá contar com mais 11 milhões de brasileiros. Com este aumento populacional também se espera o aumento da urbanização e da demanda por produção de alimento, produtos e, claro, energia. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), projeta-se um aumento de pouco mais de 50% do consumo de eletricidade atual até 2024. Já para um futuro um pouco mais distante, no estudo de Demanda de Energia 2050 da EPE, projeta-se que o país irá triplicar a sua demanda de energia.

 

Matriz energética diversificada

Com a enorme quantidade de rios com ótimas características hidrológicas para a geração de energia, o Brasil se destaca pela produção predominantemente hidrelétrica, representando pouco mais de 60% de sua matriz energética. Este apoio sobre uma única fonte de energia, por outro lado, mostra as fragilidades do setor elétrico brasileiro. Um sinal claro disto é a recente crise pela qual o país passou em decorrência do regime de chuvas escassas, reduzindo drasticamente os níveis dos reservatórios e provocando um aumento considerável nas tarifas de energia.

Além do problema de abastecimento e a redução da disponibilidade de rios para a instalação de usinas, as hidrelétricas causam grandes impactos ambientais e sociais. Obras como Belo Monte, por exemplo, dividem a opinião pública. Assim, apesar de necessárias, deverão, a longo prazo, ter uma menor participação na matriz energética do país.

Como solução para esse problema, o acréscimo na produção de energia deverá ter origem de fontes alternativas e renováveis, afinal estima-se que o Brasil tenha cerca de 140 GW de potencial eólico (equivalente à capacidade instalada atual total do país) e, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar, um potencial de até 30 mil GW de energia solar. Mesmo com estas possibilidades promissoras, este potencial é ainda pouco explorado: por exemplo, atualmente apenas 4,8% do potencial eólico é aproveitado.

De acordo com dados da EPE, estima-se que fontes até então pouco representativas na matriz energética – como eólica, solar, biomassa e as PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) – passarão a ter uma maior importância na matriz. As previsões são de que até 2024, enquanto a capacidade instalada das hidrelétricas crescerá em torno de 33%, fontes não-renováveis crescerão em torno de 50%. Já as fontes eólica, solar, biomassa e PCHs crescerão mais de 160%, passando de 16% para 27% da capacidade total instalada do país.

 

Descentralização da produção de energia

A matriz elétrica brasileira é baseada na geração de energia através de grandes usinas, que muitas vezes estão distantes dos principais pontos de consumo, caracterizando o que é chamado de geração centralizada. Isso quer dizer que a maior parte da energia que produzimos precisa percorrer longas distâncias – das usinas até os centros urbanos e industriais. Portanto, para que a energia possa chegar aonde ela é consumida, são necessários altos investimentos em sistemas de transmissão, de forma a criar um sistema robusto e pouco suscetível a falhas. Além disso, ao longo das linhas de transmissão parte da energia que é transmitida também é perdida, diminuindo a quantidade de energia que chega para consumo.

Por isso, a tendência é que o Brasil passe a concentrar seus investimentos em formas alternativas de geração, principalmente em sistemas descentralizados, também chamados de sistemas de geração distribuída (GD), cuja fonte mais difundida é a energia solar fotovoltaica. Estes sistemas se caracterizam por terem produção e transmissão local, ou seja, sistemas isolados que reduzem a dependência das grandes usinas e colocam o consumidor final no papel de produtor da própria energia.

Podemos dizer que a geração distribuída pode ser dividida em dois tipos: de grande porte, voltada às indústrias e grandes comércios, e de pequeno porte, para pequenos estabelecimentos comerciais e residências. Para as de grande porte, a perspectiva é que a autoprodução se expanda, com destaque para as indústrias eletro-intensivas como de celulose, têxtil, petroquímica e siderúrgicas, por exemplo. Já as residências e pequenos comércios começam a mostrar sinais de intensa expansão, com um aumento de mais de 150% no número de sistemas instalados em 2016 e mais de 4 mil sistemas fotovoltaicos já espalhados por todo o Brasil.

 

Mais tecnologia para a distribuição

Tanto a diversificação de fontes de energia quanto a geração distribuída irão exigir uma maior complexidade do sistema elétrico através de soluções inteligentes e emprego de novas tecnologia de informação, como por exemplo, os smart grids, redes inteligentes que funcionam de maneira interligada, conectados por sensores que alocam a energia para diferentes regiões e em diferentes horários.

A palavra chave para o futuro da matriz energética mundial é a eficiência. Um estudo da Agência Internacional de Energia de 2013 demonstra que a adoção de medidas de eficiência energética pode contribuir com cerca de 50% da mitigação de emissão de gases de efeito estufa. Ações como o Programa de Etiquetagem (PBE) do INMETRO são um exemplo de medidas de eficiência que vêm sendo empregadas no Brasil.

Apesar do aumento do consumo de energia decorrente do crescimento populacional e do desenvolvimento do país, o Brasil possui soluções com enorme potencial para desenvolver uma matriz energética mais limpa e sustentável. Para que possamos fazer uso deste potencial, o emprego de inovações tecnológicas e a adoção de medidas de eficiência energética e geração distribuída são palavras de ordem e devem ser prioridade para as ações futuras do país.
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